Tem um perfil de pessoa que aparece bastante no meu consultório. Competente, responsável, confiável. Todo mundo conta com ela. E ela raramente decepciona ninguém.

Mas ela carrega uma tensão constante que ninguém vê. Uma sensação de que, a qualquer momento, vai aparecer alguma coisa que ela não vai conseguir resolver. Que o próximo projeto vai ser o que vai expor tudo que ela ainda não sabe. Que um dia as pessoas vão perceber que ela não é tão capaz assim.

Isso tem nome. E não é insegurança passageira.

Quando a ansiedade se disfarça de responsabilidade

Uma das razões pelas quais a ansiedade no trabalho demora tanto a ser reconhecida é que ela se parece muito com dedicação.

Chegar cedo. Revisar tudo várias vezes. Não conseguir delegar porque ninguém vai fazer tão bem. Dificuldade de desligar no final do dia. Acordar às três da manhã pensando numa conversa que ainda nem aconteceu.

Por fora, parece comprometimento. Por dentro, é o sistema nervoso em estado de alerta constante.

"Ansiedade e responsabilidade podem coexistir. Mas uma não justifica a outra."

O custo invisível de viver no modo performance

O cérebro não foi feito pra funcionar sob pressão o tempo todo. Quando o sistema de alarme é ativado com frequência, o corpo paga um preço.

Cansaço que não passa com descanso. Dificuldade de concentração. Irritabilidade. Insônia. Sensação de estar sempre devendo algo, mesmo quando entregou tudo.

Não é falta de organização. Não é falta de sono. É o resultado de um sistema nervoso que não encontrou uma saída do modo de sobrevivência.

O que pode mudar

Entender que esse padrão tem origem é o primeiro passo. A gente não nasce assim. O cérebro aprendeu, ao longo do tempo, que antecipar o perigo é a forma mais segura de existir.

Com o trabalho certo, ele aprende que existe outra forma. Mais leve. Sem abrir mão da competência.

Se você é essa pessoa que dá conta de tudo mas está cansada de carregar esse peso sozinha, me manda uma mensagem. Vamos entender juntos o que está acontecendo.

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