Nos últimos anos, o TDAH virou um assunto muito presente nas redes sociais. Vídeos explicando sintomas, pessoas compartilhando diagnósticos, listas de comportamentos que "podem indicar TDAH".

Por um lado, isso é positivo. Falar abertamente sobre neurodivergência reduz o estigma e ajuda pessoas que sofriam em silêncio a nomear o que vivem.

Por outro lado, criou uma confusão real. E essa confusão chega até mim com frequência.

O que o TDAH é — e o que não é

TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que o cérebro de quem tem TDAH se organiza e funciona de forma diferente — não deficiente, diferente.

Dificuldade de manter atenção em tarefas longas, impulsividade, desorganização, hiperfoco em assuntos de interesse, procrastinação intensa, dificuldade de regular emoções. Esses são alguns dos sinais.

Mas atenção: esses mesmos sinais aparecem em outras condições. Ansiedade intensa também compromete concentração, memória e regulação emocional. Sono ruim também. Sobrecarga crônica também.

"Ter alguns sintomas não é o mesmo que ter o transtorno. E não ter diagnóstico não significa que você está inventando."

Por que o autodiagnóstico tem limites

Identificar em si mesmo comportamentos descritos num vídeo de dois minutos é um ponto de partida — não uma conclusão.

O diagnóstico de TDAH envolve uma avaliação neuropsicológica criteriosa: entrevista clínica, histórico de vida, testes cognitivos, análise de padrões ao longo do tempo. Não porque seja burocracia desnecessária, mas porque o diagnóstico correto muda completamente o tipo de ajuda que vai funcionar.

Um TDAH não identificado pode ser tratado como ansiedade por anos, sem resultado. E vice-versa.

O que fazer se você tem essa dúvida

Não precisa ter certeza antes de buscar ajuda. A dúvida em si já é informação suficiente para iniciar uma conversa.

Uma avaliação neuropsicológica bem feita não vai te encaixar numa caixa. Vai te ajudar a entender como o seu cérebro funciona — e o que pode ser feito pra você funcionar melhor, do jeito que você é.

Se você tem essa dúvida e quer entender melhor o que está acontecendo, me manda uma mensagem. Trabalho com avaliação neuropsicológica e posso te ajudar a ter mais clareza sobre isso.

Falar com a Cintia